20060218

Tour de Toulouse

Tarde de Sábado! Sol espectacular, a convidar para um passeio e desfrutar dos múltiplos espaços verdes da cidade. Já com o meu colega de jornada Luis, pegámos na merenda e lá fomos nós até ao Jardin des Plantes fazer um pic-nic. O jardim é grande, muito verde e com um lago e queda de água artificiais. Comemos num banco voltados para o Sol, com uns magníficos 16ºC (há 2 semanas estavam 0ºC). Os parques têm muita gente a passear, pais levam as crianças aos parques, namorados nos bancos não faltam e também alguns pensativos solitários sentados nos bancos a fazerem contas à vida.
De seguida
começámos o nosso tour a pé pela cidade. Primeiro passámos na Grand Rond, uma rotunda enorme que é ao mesmo tempo um parque. Aqui vai:

Seguindo em direcção ao centro, encontramos o monumentos aos combatentes da 2ª Guerra Mundial. É um "mini" Arco do Triunfo. Além de Paris, a cidade de Toulouse também foi tomada pelos nazis na guerra (agora são os marroquinos que tomam conta disto).

Daqui continuamos até à Rue de Metz (uma das mais bonitas da cidade) até à conhecida Pont Neuf. Aí descemos até às margens de La Garonne (o rio que banha Toulouse) onde um grande número de pessoas passeava ou descansava, deitados ou sentados na relva.

Aqui as pessoas aproveitam os fins-de-semana para passear pelos muitos parques bem arranjados da cidade. Se fosse em Portugal, provavelmente iriam para um Centro Comercial, mas em Toulouse os grandes centros de comércio estão todos na periferia da cidade.

Dedico a próxima foto aos meus amigos que estão no DET... dolce fare niente!


Atravessando a Pont Neuf, com uma vista fabulosa sobre o Garonne e a cidade, chegamos ao Prairie des Filtres, um enorme relvado à beira rio (género de uma praia fluvial), onde muita gente se reunia para desfrutar de belo dia de sol. Vê-se de tudo, desde pessoas bem vestidas a ler na relva até a um grupo de hippies a fazer malabarismos com fitas coloridas. Aqui vão algumas fotos desta zona:


De volta a Rangueil (a zona da universidade), houve ainda tempo para um passeio à beira do Canal du Midi, património mundial da UNESCO, construído em 1680 para ligar o Oceno Atlântico ao Mar Mediterrâneo (levou 14 anos a ser construído). Temos o privilégio de termos este canal a passar mesmo ao pé da universidade e temos feito algumas corridas ao longo do canal.


Por agora é tudo. E ainda não viram nada, esta cidade tem coisas para ver que nunca mais acabam!

Condenados de Shawshank no Tripode C

Eles andam aí! Os tugas foram transferidos de Shawshank para a prisão de alta segurança Tripode C (a nossa residência) em Rangueil. Vejam o desespero de um dos prisioneiros quando entrava na sua cela individual:
O estebelecimento prisional em questão apresenta uma elevada densidade populacional (1 prisioneiro por 8m2), duches partilhados que nunca são utilizados (em protesto, os franceses entraram em greve de duche, sempre que os tugas lá se deslocam não encontram uma alma viva! - ok, cá para amigos, os franceses não tomam banho!).
Os nosso reporteres entraram numa cela de um tuga (ou seja
, eu). Vejam como os habituais cartazes de parede das celas de prisão foram substituidas pela respectiva bandeira, num acto patriótico e de coragem para fazer face ao regime opressor Avec. Os meus vizinhos usam o mesmo método de expressão, um usa uma bandeira do Valencia de Espanha e outro a bandeira da Dinamarca (ai se os tipos do turbante sabem!...):
Depois de apresentada a minha cela, mostro a cela do meu colega de guerra, culpado do mesmo crime que eu, ou seja, de ter marcado o codigo 8004 no dia das candidaturas, eheh!
As celas têm uma cama (quem se mexe muito a dormir é certo que vai parar ao chão), um lavatório multi-funções (lava-mãos, lava-louça, lava-roupa), um roupeiro grande e uma secretária grande, que até à data apenas tem servido de mesa de cozinha. Ah, temos um guarda prisional feminino que nos vem mudar a roupa de cama e limpar o chão regularmente. Nem tudo é mau em terras avecs! : ) "Et voilá!"

20060213

Visita relâmpago a Portugal

Ainda com várias coisas para tratar em Portugal, tive que voltar a casa. Pelo caminho ainda houve tempo para visitar a cidade de Bilbau, em Espanha. A cidade é um caos, valeu só ver o Museu de Guggenheim, por fora. Aqui fica um cheirinho:

O que os franceses sabem da cultura portuguesa

Fomos jantar na 3ªfeira a um restaurante de comida grega (escusado será dizer que tive comer frango!). O empregado de mesa, um rapaz com os seus 26 anos, pergunta de onde somos. Dizemos que somos portugas. Ele todo satisfeito diz "Portugal?" e depois diz com um ar de uma criança que já sabe balbuciar as primeiras palavras, aquela palavra portuguesa muito usada no norte que se assemelha ao nome de uma árvore boa para fazer lareiras... Nós olhamos uns para os outros e, claro, gargalhada total! Ensinámos outras coisas ao rapaz, não vá ele um dia servir ao nosso presidente da república!

Terroristas lusos em França

Era uma 2ªfeira, o 1º dia a sério em Toulouse. Passeava eu, os meus pais, o Ricardo e o Nelson, de carro pelo centro da cidade. Eram umas 19:00 (18:00 no Bairro de Santiago) e já estava noite. Eis que vamos por uma avenida descansados da vida e aparece uma carrinha da polícia atrás de nós. A carrinha apita e nós arredamo-nos para a faixa do Bus para os deixar passar. Eles ultrapassam-nos, abrem a janela e o polícia diz-nos para encostar lá para uma rua estreita. Pronto, já fizemos asneira... Mas que asneira, pensamos nós? Paramos o carro, a carrinha pára ao nosso lado e eis que vejo abrir a porta de trás da carrinha e saltarem de lá 5 marmejos vestidos de preto e armados. Cercam-nos o carro. O guarda cumprimenta o meu pai e pede-nos a documentação. Nós, meio aparvalhados damos-lhes os nossos BI's a pensar que semelhanças viram eles em nós com os milhares de marroquinos que andam pela cidade. O homem vê os BI's, enquanto os outros que nos cercam apontam para dentro do carro com lanternas, do género "quem comeu o meu Bollycao?". No final, o guarda dá-nos os BI's, despede-se com "Bon soir" e faz continência. Agora imaginem todo este aparato no meio da cidade. Deviam pensar que finalmente encontraram o Bin Laden. O meu pai pergunta o que se passa e o guarda diz apenas "C'est pour contrôle, monsieur". Pois bem, mas com tanto "contrôle" assim ele nem reparou que tinha o fecho das calças aberto... enfim, bienvenue à la France!

Primeiro dia na Université Paul Sabatier (UPS)

Primeiro dia de "trabalho". Acordar cheio de sono às 8:00 da manhã (7:00 na Gafanha), abrir a janela e ligar o pc para ouvir Humanos (ouvir música portuguesa no estrangeiro é outra coisa!). Lá fora os carros estão todos brancos como se tivessem saído no congelador. Dentro do quarto estão uns bons 20ºC (não há reguladores no quarto, aquilo às vezes parece África).
Vou tomar um fantástico "petit-dejeuner" no meu bloco, onde me dão um pão, um copo de sumo e uma caneca de leite e eu pergunto se não há nenhum tabuleiro para pôr aquilo tudo e levar para a mesa. O homem diz que não, como se fosse uma coisa estranho isso de tabuleiros! Lá vou eu aos poucos levando as coisas para a mesa. Claro, a mesa ficou um caos com as migalhas, etc!
De seguida toca a ir ao Serviço de Relações Internacionais (SRI). Dentro da universidade tem que se andar bastante, sem uma bicicleta não nos safamos aqui. No SRI recebem-me com a maior naturalidade, do género "senta-te aí", "assina aqui", "au revoir!" e já está!
De lá mandam-me para o pavilhão 3R2 (o DET cá do sítio!). É um prédio alto, onde se faz investigação na área de electrónica e também em Física e Química. Fui conhecer o coordenador de Erasmus, Mr. George Zissis (ou "Sissi", como nós dizemos, eheh!). É um senhor simpático, num gabinete "à la DET" com montes de papel em cima da secretária. Deu-me o contacto do coordenador da área que escolhi e toca a ir procurá-lo.

Hora de almoço: que saudades vou ter de um bacalhau com natas ou de um bom strogonoff de soja! Aqui os avecs praticamente só comem carne! Sopa também não consta nos dicionários. Portanto, vou apanhar uma fartada de frango (em francês poullet)! Poullet com isto, poullet com aquilo, poullet com tudo e mais alguma coisa, é o que me espera!

Primeiro contacto com a Cidade de Toulouse

Da parte da tarde fomos para o centro da cidade. A cidade é fantástica! Tudo bem organizado, fachadas muito bonitas, muitos parques e espaços verdes. É uma cidade com personalidade.
Em baixo está a foto do Capitólio, equivalente a uma nossa Câmara Municipal. A Place du Capitole parece o Terreiro do Paço, um pouco mais pequeno.

Visitámos o museu no interior. Aqui as entradas nos museus são gratuitas no primeiro domingo de cada mês. Por trás do capitólio existe um jardim muito bonito que faz lembrar um filme do Tim Burton. Só faltou mesmo a neve!


Próximo deste local fica a Catedral de St. Sernin, a maior de Toulouse:


À volta desta catedral realiza-se todos os domingos de manhã uma feira da ladra. O Ricardo e o Nelo compraram lá uma bike por 35€! Eu terei que fazer o mesmo. Aqui toda a gente anda de bicicleta, mais do que em Aveiro.

20060212

Chegada a Toulouse

Domingo, 5 de Fevereiro, 2006

Depois de cerca de 1200Km percorridos via Vilar Formoso, Salamanca, Valladolid, S.Sebastian, Bayonne e Pau, eis que cheguei com os meus pais à cidade de Toulouse, pouco depois da hora de almoço. O tempo estava cinzento, com uma temperatura fresquinha de 1ºC.
Fomos directos a Rangueil, zona da cidade onde fica a cidade universitária. Quando chegámos à residência eis que avisto 2 vultos conhecidos: o Nelson e o Ricardo. Foi a festa total! Instalámo-nos nas residências e fomos dar um passeio pelo campus com a Sophie, uma rapariga muito simpática o INSA (onde o Ricardo e o Nelo vão fazer o projecto). Eis a vista do quarto do Nelo:

A universidade é enorme. Parece a universidade de Lisboa, mas muito maior. Tem muitos espaços verdes. A minha residência (chamada Tripode C) é enorme, tem 1500 quartos. Entrando no corredor parece que estamos em Abu Grahib: são portas a seguir a portas. O quarto é minúsculo mas serve para a ocasião. A residência do INSA onde fica o Nelson e o Ricardo é um hotel de 5 estrelas comparada com a minha. Em baixo está a foto do quarto do Nelo, onde o Ricardo e o Nelo se mostram com o ar de quem teve uma viagem muito atribulada no Sud-Express e de quem se sente num outro planeta onde se ouve falar francês: