20060411

A tout à l'heure!

Sábado, 8 de Abril, 2006

Ainda sem trabalho, eis que chegou o momento da minha saída precária para visitar a família, dormir e comer como deve ser. É verdade que as férias em França só começam dia 21 de Abril, mas como quero aproveitar essas férias para passear (como se ainda não bastasse, não é verdade?), decidi vir mais cedo a Portugal.


A viagem foi de autocarro e durou 15 horas. Parti de Toulouse às 23h00 (22h00 em São Mamede) num autocarro onde 98% dos passageiros eram portugueses, dos quais 10% falava português corrente.
O Luís, como sempre, foi o meu condutor de serviço rumo à rodoviária, no intervalo do jogo Sporting-Porto, visto no restaurante Dom José, onde o dono não me quis dar jantar...
Entrando no autocarro procurei logo um banco livre para me poder deitar à vontade (aliás, toda a gente fez o mesmo!). Pelo caminho parámos em Tarbes e Pau para pegar mais passageiros. Como ninguém tinha vontade de partilhar o banco, todos faziam de conta que estavam a dormir e ocupavam o banco todo, cada vez que entrava alguém!
Pensei que ia ver Tony Carreira ao vivo no Olympia, mas a afinal tive que gramar com as metrelhadoras do Rambo (qual dos 2 o pior?...).

Já quase a chegar a Salamanca, entrou um português no autocarro, com o olho tapado e sentou-se ao meu lado. Parecia estar aflito do olho, pois pelo que ele disse, tinha sido operado em Toulouse e tinha mudado para aquele autocarro porque chegava mais depressa a Portugal. Enquanto estava a dormir, acordei com ele a mandar vir com os condutores para andarem mais rápido (a frase "andem mais rápido" que ele utilizou tinha cerca de 50 palavras - imaginem quais eram as outras, eheh!). Voltei a adormecer... passado um pouco ele manda-me uma cotovelada a acordar-me e pergunta-me "Olha lá, quem foi o guarda-redes do Porto ontem?"... Isto eram já 7 da manhã e não dormi mais (dormi umas 4 horas em toda a viagem). Ainda filmei, com câmara oculta, ele a ter uma discussão filosófica sobre a descida do Penafiel à 2ª Liga. Os 2 condutores também estavam bastante exaltados um com o outro, a discutirem se tinham aprendido qual a diferença entre o singular e plural...

Por volta das 10h00 eis que chegamos a Vilar Formoso! Para mudar de autocarro, entrou um indivíduo a coçar o bigode a dar indicações às pessoas. Não resisti e tive que lhe tirar uma foto: camisa aberta, bigode bem penteado e cabelo todo esticado para trás.

... Benvindo a Portugal!


E assim faço uma pausa na minha escrita. Vou hibernar, comer um bom bacalhau, dormir uma média de 10 horas por noite (em vez das 6 a que estou habituado) e acordar ao som das andorinhas (em vez dos berbequins ou da mulher-a-dias a berrar no corredor do Tripode).
Até já! ;)

Pic do Midi: 200km em vão...

5ª Feira, 6 de Abril, 2006

Foram 4 as tentativas falhadas, numa só semana, de contactar com o nosso coordenador de projecto. Como ninguém sabe dele, incluindo o colega de gabinete, ficou adiado indefinidamente o começo do nosso trabalho em Toulouse (prof. Rui Aguiar, ignore o que acabei de dizer!)
Já cansados de o procurar e de perder o nosso precioso tempo, decidimos ir até ao Pic du Midi, um dos maiores observatórios astronómicos da Europa, situado nos Pirinéus, a uma altura de 2877m e a cerca de 200km de Toulouse. Parti com o Luís e Nuno, pela estrada nacional. Pelo caminho encontrámos vários camiões portugueses aos quais apitámos com grande alarido.

Chegando ao local, eis a decepção: eram já 17h15 e o último teleférico tinha já partido às 17h00... Cometemos o erro de ver na net os horários de Verão, segundo os quais a última partida era às 19h00... Depois de ouvirmos a explicação de um senhor que lá estava ouvimos um pouco animador "c'est pas grave"... Para ele acredito que não, mas para nós era: fizemos 200km em vão!
Tentámos animar o inconsolável Luís que, para mais, tinha tido uma noite anterior negra com a derrota do Benfica. Fizemos um lanche no meio da neve e fomos comprar alguns postais naquela localidade, que estava quase deserta, em parte devido ao facto de a época de ski estar a terminar.
Decidimos então aproveitar da melhor maneira possível o tempo que ali íamos estar. À saída da localidade eis que encontrámos vestígios de um povo bem nosso conhecido:

Fomos explorar as belas paisagens dos Pirinéus e fazer uma caminhada à beira de uma longa queda de água que la havia. Sempre deu para aproveitar alguma coisa, embora tenhamos quedas de água no Jardin des Plantes, não sendo necessário fazer 200km para as ver!...

O dia terminou com um concerto de jazz no INSA. Não foi mau, depois de um dia em fizemos 400km de carro...

20060405

Jantarada portuguesa

5ªfeira, 30 de Março, 2006

Ao convite do Nuno, fomos todos jantar à residência dele, juntamente com a comunidade estudantil portuguesa de Toulouse. A ementa era portuguesa - bacalhau - mas pedir a um francês para cozinhar comida portuguesa é a mesma coisa que pedir a um miúdo da primária para calcular um integral triplo. Mas como não é todos os dias que temos um convívio com toda a malta portuguesa, a ementa acabou por ser o menos importante!

Localidades representadas: Aveiro (Luís e Carapinha), Braga (Zé), Bustos (Ricardo), Palhaça (Nelo), Porto (André), Felgueiras (Rui), Viseu (Milena), Lisboa (Nuno), Leiria (Nuno - o que organizou o jantar), Viana do Castelo (não me lembro do nome dela!) e, claro, Pocariça (eu próprio). No final do jantar o cozinheiro baixou a bandeira de Portugal e nós cantámos, como não podia deixar de ser, o hino de Portugal!

Dirigimo-nos de seguida para a sala de convívio da residência. Nada como o nosso miserável Tripode: mesa de ping-pong, mesa de matraquilos, mesa de bilhar e uma grande sala de estar. O Nuno preparou a sala ao pormenor e tivemos direito a alguns aperitivos portugueses.
Enquanto jogava ping-pong com o Rui eis que começo a ouvir uma música bastante familiar... sim, "A linda portuguesa" dos Diapasão! Quando dei por mim estava a sala de estar já transformada num arraial e toda a gente na sala pasmada a olhar, como quem diz "que gente é esta??". Estava lá um grupo de estrangeiras de passagem em Toulouse, vindas de vários países da Europa, as quais ficaram a saber dançar (quase) na perfeição a verdadeira música portuguesa. O "auge" foi talvez quando fizemos o comboio ao som da "Garagem da vizinha"... ao que isto chegou!!

Pois bem, estamos já transformados nuns verdadeiros emigrantes portugueses em França, a ouvir música pimba. Tem a sua mística...